As histórias de Dona Roxinha

Nesta última terça-feira, 28, o projeto Mestres no Estúdio visitou a rezadeira e parteira Maria Roxinha, de 93 anos, moradora de Cambuquira. Foi a inauguração — em grande estilo, aliás — da fase de coleta dos depoimentos.

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Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio

Com a ajuda de duas filhas e de amigas, Roxinha rememorou boas histórias que guarda na memória. São relatos inspiradores, que remontam a outros tempos, em que as dificuldades do mundo eram outras. Neta de escrava liberta pela lei do ventre livre, ela nasceu em um fazenda de Três Corações, onde o pai trabalhava na capina e em outras tarefas da roça. Ainda criança, mudou-se para Cambuquira, onde aos nove, meio que por acaso, ajudou no primeiro parto, de uma vizinha. A intocada fé católica ajudava no trabalho, com as rezas entoadas para que tudo corresse na mais serena tranquilidade.

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As rezas, aliás, são a principal razão para que Roxinha ficasse conhecida nas redondezas. Cobreiro, alergias, infecções de pele e outros males do gênero foram curadas a partir da interferência de dona Maria. Bastava rezar para que os enfermos se curassem em poucos dias. Tanto que ainda hoje, aos 93 anos, o serviço continua rendendo a presença de visitantes em busca de um alento para doenças. Roxinha conta que, em suas rezas, não evoca nenhum santo intermediário, mas fala direto com Deus.

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As histórias, entretanto, vão além das rezas. Dona Roxinha participou de festas de folia de reis, congado e terços de São Gonçalo, além de encenar peças de teatro na juventude. Marido? “Não tive, graças a Deus”, diverte-se.

Dona Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio
Dona Maria Roxinha, em entrevista ao Museu da Oralidade, no projeto Mestres no Estúdio

Nas próximas semanas, como parte do projeto, trabalharemos com a transcrição completa do áudio, para podermos estudar o material e aprofundar na pesquisa de história oral. O músico Ronildo Prudente já está trabalhando na composição de uma canção, que será gravada em nosso novo estúdio, com base nas histórias contadas pela personagem.

Outros quatro personagens participarão deste projeto, que nos próximos meses vai revirar a cultura popular da região de Três Corações.

 

Autor: Paulo Morais

Jornalista, coordenador de projetos na Viraminas Associação Cultural. Pesquisador do Ponto de Cultura Museu da Oralidade.

16 pensamentos em “As histórias de Dona Roxinha”

  1. Parabéns Paulo sou Cambuquirense e moro perto ai da casa dela ,por essa introdução q nos foi mostrada acima o seu documentário irá ficar ótimo….

  2. Conheci Maria Rocinha ao meus sete anos quando eu e meus irmãos tivemos que morar com minha vo Luiza eram vizinhas ,lembrei do seu arroz doce ,doce de leite, ela vendia na sua casa,sempre com sorriso no rosto,fiquei emocionada em ver essa publicação. Amei

  3. Lembrei do seu arroz doce ,doce de leite, que vendia em casa, vizinha da minha vo Luiza, conheci aos meus sete anos quando tivemos que morar com minha vo ,ela sempre sorrindo ,linda .

  4. Amo Maria Roxinha ela me conhece bem , e todas as vezes que vou a Cambuquira vou sempre na sua casa
    Muito me ajudou , nos momentos difíceis da minha vida
    Sou Maria Helena Goularteu e minha irmã Leda temos casa em Cambuquira a qual freqüento desde 2 anos de idade beijosinhabfofa nessa Santa mulher
    Breve pretendo vê- la !!!!!!!!

  5. Que bom que ainda temos a Maria Roxinha para contar um pouco dessa vivência. Muito de perdeu com o avanço de Medicina,mas acho que o benzimento,as rezas acalentavam os corações dos desesperançados. É uma costume que deveria ter sido passado de mãe para filha,para que não se perdesse e perdurasse até os dias atuais.

  6. Que bom que ainda temos a Maria Roxinha para contar um pouco dessa vivência. Muito se perdeu com o avanço de Medicina,mas acho que o benzimento,as rezas acalentavam os corações dos desesperançados. É um costume que deveria ter sido passado de mãe para filha,para que não se perdesse e perdurasse até os dias atuais.

  7. Que bom que ainda temos a Maria Roxinha para contar um pouco dessa vivência. Muito se perdeu com o avanço da medicina,mas acho que o benzimento,as rezas acalentavam os corações dos desesperançados. É um costume que deveria ter sido passado de mãe para filha,para que não se perdesse e perdurasse até os dias atuais.

  8. Parabéns!!!!!
    Começaram com chave de ouro, o projeto Mestres no Estúdio, Tia Roxinha memória viva e afetiva da nossa Cambuquira!!!!

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